domingo, 18 de janeiro de 2026

EBD sobre o livro de Provérbios—Ensinamento 1. Leitura bíblica: Provérbios 1:1-19


Provérbios 1:1. A Autoria e outras fontes. O livro começa identificando Salomão, filho de Davi, rei de Israel, como o autor. Os provérbios de Salomão foram escritos por volta de 900 a.C. Salomão foi aquele a quem Deus concedeu sabedoria (II Cr 1:7-12), tornando-se famoso por sua sapiência e escrevendo mais de 3.000 provérbios (I Reis 4:29-34). O livro também contém provérbios e sabedoria de outras fontes: as palavras de Agur, filho de Jaque, a Itiel e Ucal (Pv 30:1), e as palavras do Rei Lemuel, ensinadas por sua mãe (Pv 31:1).

Provérbios 1:2-3. O Propósito do livro de Provérbios. O tema recorrente no livro de Provérbios é a sabedoria. Somos continuamente exortados a buscar, adquirir e compreender a sabedoria. Provérbios também afirma e repete que o temor do Senhor é o princípio do saber (Pv 1:7 e Pv 9:10). Há uma inegável praticidade encontrada no livro, pois em seus trinta e um capítulos encontramos respostas sensatas para todos os tipos de dificuldades complexas. Provérbios certamente é o melhor “manual” já escrito para aqueles que têm o bom senso de seguir, de coração, as lições nele contidas. Há uma grande necessidade de sabedoria em nossa sociedade atual. Para os batistas bíblicos fundamentalistas, o manancial para a devida compreensão da sabedoria não são as universidades seculares ou a filosofia humana, mas sim o temor ao Senhor. Podemos afirmar que, sem a luz das Escrituras, o homem é um cego que não sabe o seu destino. Para conhecer a sabedoria, é preciso primeiro submeter-se à autoridade final da Palavra Inerrante (Sl 119:105). Para que possamos entender “as palavras da prudência”, faz-se mister que tenhamos discernimento espiritual, desenvolvido através da vigilância (Ef 5:15-17). Ser prudente é olhar para o mundo através das lentes das Escrituras, rejeitando todo pensamento que se levanta contra o conhecimento de Deus. O crente fundamentalista não está em busca do “evangelho da conveniência”, mas procura receber a instrução que nos leva à Justiça, ao Juízo e à Equidade. A verdadeira sabedoria é encontrada nas Escrituras (II Tm 3:15-17).

Provérbios 1:4-6. Os Três Grupos de Pessoas. O texto menciona três categorias que Provérbios visa atingir: a primeira é a dos simples. Vale a pena frisar que a simplicidade aqui tratada não é uma virtude, mas a falta de discernimento, fato que poderá trazer consequências trágicas para a vida. O simples (ou ingênuo) é como uma porta aberta: acredita em tudo e não tem filtros. O livro serve para lhe dar prudência (capacidade de prever o perigo). O segundo grupo da exortação são os jovens. O mundo tenta moldar a mente dos jovens através de filosofias, vãs sutilezas e relativismo moral (Cl 2:4 e Cl 2:8). Provérbios capacita o jovem a ter discernimento para compreender os fundamentos das Escrituras, não sendo levado por ventos de doutrina (Ef 4:14). Por último, temos a mensagem dirigida aos sábios. A Bíblia ensina que quem é sábio de verdade nunca para de aprender. O sábio lê Provérbios e se torna "mais sábio" porque reconhece que a sabedoria de Deus é infinita. No pensamento hebraico, "ouvir" é sinônimo de "obedecer"; não é apenas captação sonora, mas recepção interna (Rm 10:17).

Provérbios 1:7. O Temor do Senhor é a base do verdadeiro conhecimento. Muitas pessoas confundem "temor" com "medo de castigo". Temer ao Senhor não é um medo escravizante, mas sim um misto de reverência, admiração e reconhecimento da autoridade. O temor coloca o homem no seu devido lugar e Deus no d'Ele (Pv 2:5). Como nos versos anteriores, o escritor de Provérbios dividiu a humanidade em dois grupos: os que temem a Deus e os "loucos". Em termos espirituais, louco é aquele que se rebela contra a autoridade divina. Ele despreza a instrução porque o seu coração está cheio de si mesmo. Ou seja, temer a Deus é o alicerce sobre o qual os salvos adquirem compreensão espiritual para construir uma vida sábia e debaixo da vontade de Deus (Pv 15:33).

Provérbios 1:8-9. A instituição divina da família. A Palavra de Deus mostra claramente que a família não é uma construção social evolutiva, mas uma instituição divina. O texto começa com um chamado direto: "Filho meu". Aqui vemos a responsabilidade dos pais como os primeiros e principais educadores. Antes da escola ou da igreja, o lar é o seminário onde o caráter é forjado. Rejeitar a instrução de pais bíblicos é, em última análise, rejeitar a ordem estabelecida por Deus (Ef 6:1-3).

A autoridade dos pais e a Fé: É importante frisar que existe uma relação direta entre o reconhecimento da autoridade de Deus e o respeito à autoridade dos pais. O Quinto Mandamento não é apenas uma regra social, mas o alicerce de todos os relacionamentos humanos (Dt 5:16). A responsabilidade dos pais para com seus filhos é viver uma vida de retidão e ser um modelo de comunhão com Deus. A única pregação verdadeiramente eficaz é o exemplo. O padrão de Deus para a vida familiar é que a criança receba a noção do amor divino através do forte amor protetor do pai e do caloroso afeto emocional da mãe. Em muitos casos, embora não em todos, o comportamento moral inadequado de um adolescente pode ser atribuído ao fato de ele ter recebido sinais errados na primeira infância. A fé que foi entregue aos santos (Jd 1:3) não é apenas uma doutrina que se ensina na igreja; é uma vida que se transmite pelo exemplo e testemunho (II Tm 1:5).

Provérbios 1:10-19. A advertência sobre as más companhias. Eles persuadem através da sedução, assim como a serpente tentou Eva (Gn 3:6). Os amigos pecadores apelarão para: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (I Jo 2:16). Essa passagem traz uma exortação aos jovens crentes, alertando sobre o perigo de andar com pessoas que poderão exercer má influência em suas vidas. O antídoto para neutralizar a pressão do mundo é o temor ao Senhor. É sempre mais fácil seguir a maioria do que nadar contra a corrente. É necessário ter um objetivo de vida claro para conhecer a direção certa. No entanto, a maioria das escolhas na vida é feita em níveis menores e aparentemente menos importantes. Se praticarmos o temor do Senhor nos detalhes do dia a dia, o Espírito Santo nos guiará em nossas decisões mais dramáticas.

A solução contra as más companhias: "Não lhes dês ouvidos", "Não consintas" (v. 10). O que eles prometem, não podem cumprir — ao menos, não por muito tempo. O homem verdadeiramente abençoado não anda no conselho dos ímpios (Sl 1:1). Seja sábio o suficiente para não dar atenção às palavras sedutoras. Mantenha distância: "Não te ponhas a caminho com eles" (v. 15). Não permita que eles sejam seus companheiros íntimos (Pv 13:20), especialmente se forem incrédulos, em termos de influência espiritual (II Co 6:14-18). Seja ainda mais sábio ao evitar que se tornem seus companheiros de rotina. Isso não quer dizer que não devamos tentar salvá-los; devemos ser separados do mundo, mas não podemos nos isolar completamente (I Co 5:9-11). O próprio Jesus era amigo de pecadores (Mt 11:19), mas devemos ser honestos conosco: nós influenciamos esses amigos mais do que eles nos influenciam? Se não, devemos nos afastar até que sejamos fortes o suficiente para ser uma influência positiva. O que estudamos em Provérbios 1:10-19 talvez seja melhor resumido pelo apóstolo Paulo: "As más conversações corrompem os bons costumes" (I Co 15:33).Para ser sábio, precisamos saber a quem ouvir (Deus, pais e bons amigos). (Pv. 5:1-2 e Pv. 27:9), e a quem ignorar (qualquer um que nos seduza a praticar o mal). (Pv. 12:5).


Referências Bíblicas: Somente use Bíblias traduzidas do Texto Tradicional (aquele perfeitamente preservado por Deus em ininterrupto uso por crentes fiéis): LTT (Bíblia Literal do Texto Tradicional, ACF ou BKJ-1611.
Aplicado na IBBF Esperança-PB, 18 de Janeiro de 2026.
Pr. Walter Costa.

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